Ele me instiga a que escreva agora, no presente, ao invés de resgatar textos antigos, numa revisão e releitura.
Entendo o propósito. Estio. Olho pela janela. Lá fora, nublagens. Aqui dentro o texto rumina: agora!
Percorro a linha do tempo: passado - foi-se, lembra foice, o que foi cortado. Vive nos fios da memória. Futuro, o vir a ser, porvir, o ainda não dado. A vivência imaginária: pode ser, que seja, pode não ser; não sei.
O agora junta os fios do tempo: é quando chega o que vinha e se encontra com o que é, está sendo. Revisitado, de novo, novo sendo, ou acontecendo: presente. O que se abre, no momento, esse, exato.
E o que muda tudo, faz diferença, é a qualidade com que se abre esse momento: curto, preciso, precioso, exato.
É ele e só ele o que tenho, nesse momento. O mais já foi, ou não virá.
No entanto, quando o tenho assim, apreendido, no instante, tenho dentro de mim a linha inteira do tempo: o que veio do futuro, presente tornou-se; e o que foi, passado, pode estar aqui, revivendo, atual e livre das prisões e teias. Atualizado. Na linha do que desejava revisitar. E não é possível. Mas, que pode ser, de novo, sempre: me atualizo, a cada instante. Quando em consciência e pergunta, presente, volto a mim mesma: trazendo 'o fogo de constelações extintas a milênios; e o risco, brevíssimo, que foi? Passou. De tantas estrelas cadentes.'
Bandeira chega assim, de memória; sem que me importe com a pontuação, a exatidão. No exato instante em que minha linha do tempo se atualiza num gesto: esse. aqui. agora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário